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sábado, 21 de maio de 2011

LIÇÃO 11 - O PRIMEIRO CONCÍLIO DA IGREJA DE CRISTO



TEXT ÁUREO: At. 15.28,29

LEITURA EM CLASSE: 15.6-12
Objetivo: Mostrar aos alunos que a intenção de um concílio eclesiástico, convocado sob orientação divina, é preservar a unidade da igreja no Espírito e conservar a sã doutrina.

INTRODUÇÃO
Desde os seus primórdios, a igreja cristã precisou lidar com controvérsias que colocaram em risco a unidade doutrinária. Na aula de hoje, estudaremos a respeito da questão judaizante, que se espalhou em algumas igrejas e comprometia o evangelho de Cristo. Nesta lição, veremos como a igreja primitiva respondeu às tentativas religiosas de minar a doutrina, e, ao mesmo tempo, conseguiu manter o equilíbrio entre preservar a doutrina e cultivar o amor pelos irmãos.

1. O CONCÍLIO EM JERUSALÉM
A realização de um concílio em Jerusalém se fez necessária por causa de uma crença predominante entre alguns judeus que para os gentios serem salvos esses precisariam se tornar membros do povo de Deus e aceitar as obrigações da lei judaica. Além disso, havia também um problema, pois, para alguns judeus, os gentios, ao participarem da mesa da comunhão, a tornavam impura, por causa do alimento que traziam. Os mais preocupados com a inclusão dos gentios no seio da igreja eram os judaizantes. Eles argumentavam, a respeito dos gentios, que se esses não se circuncidassem, conforme o uso de Moisés, não podiam ser salvos (At. 15.1,2). Esse grupo permanecia atado às praticais rituais do judaísmo, eles não admitiam desconsiderar os rituais judaicos, na verdade, eram tais eram mais fariseus do que cristãos (At. 15.5). Logo a princípio, Paulo percebeu que esse ensinamento era contrário à fé cristã, e que punha em risco o evangelho de Cristo, desconsiderando a Sua morte expiatória (Gl. 2.21; 5.1-6). Caso a igreja optasse pela doutrina dos judaizantes, a morte de Cristo perderia a razão de ser, e o cristianismo não passaria de uma facção de judaísmo (Gl. 3.1-3). O posicionamento contundente de Paulo em relação aos judaizantes revelava o risco que o evangelho passava, a necessidade de defender os princípios básicos da fé cristã que estão sendo questionados, e com esses, o futuro da igreja de Jesus Cristo. Durante o concílio, Pedro lembrou do episódio de Cesaréia, na residência de Cornélio, como testemunho de que “Deus me escolheu dentre vós para que, por meu intermédio, ouvissem os gentios a palavra do evangelho e cressem” (At. 15.7). Ninguém pode acusar Pedro se ser judaizante, haja vista que, conforme declarou no concílio “Cremos que fomos salvos pela graça do Senhor Jesus, como também aqueles o foram” (At. 15.11), consoante ao que afirmou Paulo aos Gálatas (Gl. 2.16). Tiago, o meio-irmão do Senhor, autor da Epístola que leva seu nome, e líder da igreja em Jerusalém, também “expôs Simão como Deus primeiro visitou os gentios, a fim de construir dentre eles um povo para o seu nome” (At. 15.14). Tiago destacou ainda que essa realidade confirmava “as palavras dos profetas” (At. 15.15). A partir de tal declaração, aprendemos que qualquer concílio eclesiástico somente é legítimo se esse se pautar pela autoridade das Escrituras.

2. A CARTA DO CONCÍLIO
Os debates ocorridos naquele concílio resultaram na produção de uma Carta que deveria ser enviada às igrejas. O teor dessa missiva deixava explícito o repúdio dos cristãos aos postulados judaizantes, e os desautorizava a proclamar os falsos ensinamentos que comprometiam a verdade da fé cristã. Por isso, “pareceu bem aos apóstolos e aos presbíteros, com toda a igreja, tendo elegido homens dentre eles, envia-los juntamente com Paulo e Bernabé, a Antioquia: foram Judas, chamado Barsabás e Silas”, homens que, segundo Lucas, eram “notáveis entre os irmãos” (At. 15.22). Além de reprovar aqueles que perturbavam com palavras, transtornando as almas dos crentes, os líderes reconheciam que não se fazia necessário “impor maior encargo além destas coisas essenciais: que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, bem como do sangue, da carne de animais sacrificados e das relações sexuais ilícitas”. Tais recomendações devem servir de alerta a certos líderes eclesiásticos que querem impor sobre a igreja fardos pesados, que eles mesmos não são capazes de cumprir, e que servem apenas para alimentar a vaidade ministerial. É preciso destacar também que essas orientações eram predominantemente rituais, a exceção da imoralidade sexual, e se tratavam mais de uma recomendação do que uma ordem, por isso, “fareis bem se vos guardardes” (At. 15.29). O objetivo primordial de tais recomendações era a preservação dos irmãos mais fracos, os judeus que não comiam carne se o sangue não tivesse sido tirado, nem a de animais estrangulados ou que morriam por doença. Por isso, era preciso que os gentios fizessem algumas concessões com respeito à alimentação. Assim fazendo, estavam seguindo a lei do amor, evitando o escândalo dos irmãos mais judeus mais fracos na fé (Rm. 14.21). Os cristãos de hoje também precisa fazer concessões em relação aos crentes mais fracos na fé, por amor, mas, ao mesmo tempo, devem conduzi-los ao crescimento, a fim de que esses não permaneçam na meninice (I Co. 3.1; 14.20; Gl. 4.3).

3. RESULTADOS DO CONCÍLIO
O concílio de Jerusalém, a respeito da questão judaizante, trouxe alguns resultados para a igreja cristã. O primeiro deles foi o conforto, pois todos “sobremaneira se alegraram, pelo conforto recebido” (At. 15.31). O fardo pesado imposto sobre os falsos mestres judaizantes seria a partir de então aliviado pelo jugo suave do evangelho de Cristo (Mt. 11.28,29). Além disso, Judas e Silas, ao contrário dos legalistas, “consolaram os irmãos com muitos conselhos e os fortaleceram” (At. 15.32). Os cristãos gentios puderam finalmente desfrutar da liberdade cristã, e, ao invés de serem controlados por práticas externas, passaram a desfrutar da lei do amor. A partir do momento que compreendemos o amor de Deus, podemos finalmente amá-lo, mais que isso, obedecê-lo, não porque isso apaziguará a Sua ira, mas porque nos agrada fazer a Sua vontade, essa é a lei que passar a conduzir as atitudes do coração (Jr. 31.33). Essa liberdade, por outro lado, não deva dar margem para a libertinagem, pois, conforme lembrou Paulo aos coríntios: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam. Ninguém busque o proveito próprio; antes cada um o que é de outrem” (I Co. 10.23,24). O cristão precisa agir com bom senso, tendo o amor como fundamento, para perceber quando uma determinada prática pode comprometer o evangelho de Cristo ou quando essa pode ser observada a fim de que outro irmão não seja escandalizado. Em se tratando de alimento, podemos comer tudo, até mesmo a comida que foi sacrificada aos ídolos, contanto que não perguntemos, por questão de consciência, ou, se for caso, para que a fé de um determinado irmão seja abalada (I Co. 10.25).

CONCLUSÃO
As igrejas evangélicas costumam apresentar costumes religiosos, alguns deles não são doutrinários. Contanto que esses não comprometam a doutrina do evangelho de Cristo, ou seja, não sejam impostos como condições para a salvação, nada há de errado em observá-los. Alguns usos e costumes são saudáveis à igreja, mas não podem ser transformados em regras legalistas. Há igrejas pentecostais que demonstram zelo pelos usos e costumes dos pioneiros, outras já não mais os consideram válidos. A regra áurea continua sendo a mesma aplicada aos gentios pelo concílio de Jerusalém: o equilíbrio entre a preservação da doutrina e o respeito aos costumes. Para tanto, é de bom alvitre atentar para a recomendação do Apóstolo dos Gentios, “quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus” (I Co. 10.31).

BIBLIOGRAFIA
STOTT, J. A mensagem de Atos. São Paulo: Abu, 2008.
WILLIAMS, D. J. Atos. São Paulo: Vida, 1996


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